Workshop do programa Amazônia Conectada anuncia entrega do trecho Coari-Tefé para abril de 2016

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- 27/11/2015

Representantes da comunidade acadêmica, empresas, agências governamentais e outros parceiros reuniram-se no campus do Instituto Federal do Amazonas (Ifam) em Manaus, nos dias 26 e 27/11, para o workshop promovido pelo Exército Brasileiro sobre o Programa Amazônia Conectada, que utiliza os leitos dos rios para a construção de uma rede de fibra óptica que vai levar conectividade para a população do interior do Amazonas.

Na ocasião, o chefe do 4º Centro de Telemática de Área (CTA) do Exército, general Decílio Sales, anunciou que, até abril de 2016, será entregue o trecho entre Coari e Tefé, de cerca de 220 km. “No momento, entendemos que a prioridade é a Amazônia Ocidental, atendida atualmente por satélite, que é de alto custo”, afirmou.

Em julho deste ano, foi inaugurado o projeto piloto em Manaus, de 10 km, ligando duas bases do Exército pelo Rio Negro. Esse cabo subfluvial forma um anel óptico de contingência com a rede metropolitana de Manaus, a MetroMAO, oferecendo uma infraestrutura robusta para as 12 instituições conectadas a essa rede.

Em 2016, com a iluminação de uma fibra da Telebras que passa por um gasoduto entre Coari e Manaus, o objetivo é dar continuidade à rede óptica até Tefé. Segundo o secretário executivo de Planejamento em CT&I do estado, Estevão Vicente de Paula, essa conexão é importante devido a Tefé ser o segundo maior centro de produção de conhecimento do Amazonas, reunindo instituições como o Instituto Mamirauá, Chico Mendes e os campi do Ifam e das universidades Federal (Ufam) e Estadual (Ueam) do Amazonas.

O diretor-geral da RNP, Nelson Simões, destacou o papel das universidades em fixar recursos no interior e promover o desenvolvimento regional, nos âmbitos social e econômico. “O Programa Amazônia Conectada não interliga apenas duas cidades dentro do Amazonas. Há todo um contexto nacional e global para inclusão de pesquisadores gerando conhecimento nesse espaço de colaboração científica mundial”, declarou.

Para o coordenador-geral de Programas e Cursos em EaD da Diretoria de Educação a Distância (DED) da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Luiz Lira, o Programa Amazônia Conectada surge como uma oportunidade para aumentar a oferta de cursos para a população ribeirinha, principalmente os de educação básica. Atualmente, o Programa Universidade Aberta do Brasil (UAB) tem 12 polos cadastrados no Amazonas, a maioria entre Coari e Manaus.

Em relação à saúde pública, o secretário estadual de saúde do Estado, Pedro Elias de Souza, declarou que “prover saúde em uma região como a amazônica é complicado em termos de logística”. Diante desse quadro, ele entende que telessaúde e telemedicina são uma alternativa estratégica, tendo em vista a redução do custo e do tempo no transporte de pacientes até Manaus. “Não temos hospital regional no Amazonas. Todos têm que ser transportados para Manaus de avião”, comentou.

No dia 27/11, o Núcleo de Telessaúde da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) foi integrado oficialmente à Rede Universitária de Telemedicina (Rute). Outras unidades estão em operação no Amazonas, em instituições como a Ufam, na Fundação Alfredo da Matta, no Hospital Adriano Jorge e na Fundação de Medicina Tropical, todas em Manaus. Segundo o coordenador nacional da Rute, Luiz Ary Messina, a expectativa, com o Amazônia Conectada, é expandir as atividades de telessaúde para outros municípios do estado, a fim de melhorar a pesquisa colaborativa e a assistência remota na região.

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