Campus inteligente oferece soluções para as grandes cidades

- 16/01/2017

Imagine uma cidade onde as soluções tecnológicas possam ser direcionadas para o bem-estar dos seus cidadãos. Essa é a premissa para se tornar uma cidade inteligente, segundo o coordenador do Centro de Inovação em Cidades Inteligentes da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Fabiano Hessel. A unidade de pesquisa, que recebe financiamento da Huawei, desenvolve diversos projetos que são testados primeiro no campus universitário, entre eles soluções em iluminação pública, segurança e educação. O pesquisador afirma que a tecnologia traz uma série de desafios para o mercado. Por isso, a universidade se apresenta como o espaço ideal de experimentação, representando em menor escala o ambiente urbano e suas reais necessidades. Confira abaixo uma entrevista com Hessel sobre cidades inteligentes e IoT.

O que define um campus inteligente e qual é a sua relação com Internet das Coisas?

Primeiro, precisamos definir o que vem a ser uma cidade inteligente. Boa parte das pessoas faz uma ligação direta com o aparato tecnológico, mas, seguindo tendências de muitos países da Europa, cidades inteligentes são onde as pessoas se sentem bem e onde há o melhor aproveitamento do espaço urbano. Na Alemanha, por exemplo, país que visitei como pesquisador, a maioria das soluções não envolvia tecnologia, e sim a construção de praças e espaços de convívio público, a melhor utilização do solo etc. O campus acaba sendo o espaço de experimentação para soluções que melhor atendam a essas necessidades, de como as pessoas encaram a ocupação do espaço público. A Internet das Coisas está presente nos dispositivos que emitem esses dados e conversam entre si por meio de plataformas de interoperabilidade.

Quais são os projetos da PUC-RS para cidades inteligentes?

Nós auxiliamos as prefeituras e, consequentemente, as universidades a identificarem suas prioridades e o objetivo do que se quer implantar. É um trabalho de alfaiataria, e não um produto de prateleira para ser replicado. Também somos procurados por empresas e provedores de internet, que querem um modelo de negócio que vá além de apenas montar uma infraestrutura de comunicação. Se não forem oferecidos serviços em cima disso, o negócio tende a terminar. Trabalhamos muito com plataformas de interoperabilidade, ou seja, instalamos sensores no campus e fazemos com que conversem entre si. Depois, projetamos isso em maior escala com base nessa experiência.

A demanda maior hoje é para iluminação pública, tendo em vista a economia de recursos e o melhor aproveitamento de postes para fornecimento de dados. O poste inteligente seria uma forma de reutilizar aquela estrutura para fornecer outras informações e funcionar como um gateway, que congrega vários tipos de sensores que também são provedores de dados.

Existem dois conceitos na computação, de edge computing e fog computing, que se aplicam ao contexto de cidades inteligentes. No edge computing (em inglês, borda ou extremidade), só é processado e transmitido aquilo que é relevante. Já no fog computing (de névoa), um processamento central toma as decisões em função das informações enviadas. Com isso, diminui-se o uso da banda e o servidor central não é sobrecarregado. Fazendo um paralelo com uma cidade, a informação enviada por postes poderia ser analisada na companhia de processamento de dados da região.

Quais são as suas expectativas para o Plano Nacional de Internet das Coisas, que será lançado pelo BNDES em parceria com o MCTIC em 2017? O que deve ser prioritário?

Um ponto-chave é estabelecer regras e padrões de interoperabilidade. Estamos alguns anos atrás dos Estados Unidos e da Europa, que já definiram suas políticas públicas para IoT. Espero que consigam pensar mais nas características do país e menos na política. O Brasil tem uma vocação natural para a área de software e a tendência no mundo todo é oferecer a Internet das Coisas como um serviço. Para isso, é preciso dar incentivo ao setor privado, que é o motor do negócio. Uma saída para a indústria nacional seria o fomento ao desenvolvimento de serviços.

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