Unesp realiza transferência de dados de alta velocidade por conexão direta com a Europa

Pesquisadores do laboratório SPRACE, da Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita Filho (Unesp), realizaram a primeira transferência de altíssima taxa de dados, utilizando a conectividade do cabo submarino Ellalink, que conecta o Brasil diretamente a Portugal. O feito foi possível graças ao projeto BELLA (Building Europe Link to Latin America), que irá atender as necessidades das comunidades de ensino e pesquisa dos países da América do Sul e Europa pelos próximos 25 anos.

A demonstração foi realizada durante a Conferência TICAL 2021, evento organizado pela RedCLARA, que reúne a comunidade de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) da América Latina, realizado entre os dias 31/8 e 2/9 deste ano. Durante o experimento, para realizar a transferência de dados entre os dois continentes, os pesquisadores utilizaram as redes acadêmicas de São Paulo (ANSP), da RNP, da América Latina (RedCLARA), da Europa (Géant) e de Portugal (FCCN), além do cabo submarino EllaLink, de 6 mil km, que liga Fortaleza, no Brasil, a Sines, Portugal, inaugurado em junho deste ano no evento Leading the Digital Decade, em Portugal.

"O principal resultado alcançado pelo uso da conectividade de BELLA foi o grande aumento de capacidade disponível, combinado com a redução da latência, o que significa que o tempo de resposta para a transferência dos dados cai para 2/3, pois a nova rota física dos dados é bem mais curta do que a anterior, que passava pela América do Norte", explica o cientista de redes Michael Stanton.

Ainda de acordo com o pesquisador, este é um ganho substancial para o uso intensivo de dados para pesquisa e educação entre a Europa e a América Latina, incluindo campos de pesquisa como observação da Terra, radioastronomia, física de partículas e telemedicina.

Participação brasileira em física de altas energias

O laboratório SPRACE da Unesp desenvolve pesquisa fundamental e aplicada em áreas como física de altas energias (HEP), instrumentação científica, computação de alto desempenho (HPC) e inovação digital. 

Implantado em 2003 com apoio da Fapesp, o SPRACE é atualmente o maior dos centros de pesquisa que possibilitam a participação de pesquisadores brasileiros no experimento Compact Muon Solenóid (CMS), realizado no LHC (Large Hadron Collider), acelerador de partículas da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), sediado em Genebra, Suíça. 

Com 200 instituições e colaboradores de 40 países, a principal contribuição do projeto CMS para a física de partículas é a origem da matéria escura, que pode trazer respostas sobre a origem do Universo.

“O LHC já gera muitos dados hoje, já temos 100 anos de estudos para entendimento da matéria escura e, daqui a alguns anos, gerará 20 vezes mais dados. Por isso, o projeto BELLA é muito importante para essa troca de dados e contribuirá muito para o futuro da pesquisa no mundo”, afirmou o pesquisador do SPRACE/Unesp, professor Sérgio Novaes.

O SPRACE faz parte da rede LHCONE e opera um cluster de 2º nível do WorldWide LHC Computing Grid (WLCG), onde os dados gerados pelo projeto CMS são processados, analisados e armazenados.

Também já quebrou recordes de transferências de dados entre os Hemisférios Sul e Norte no evento Supercomputing, de computação de alto desempenho, ao realizar experimentos entre o Brasil e os Estados Unidos.

Sobre o Projeto BELLA

O Programa BELLA atende as necessidades de interconexão de longo prazo entre as  comunidades de pesquisa e educação europeias e latinoamericanas, alcançadas por meio de dois projetos: BELLA-S, que garante conectividade intercontinental de grande capacidade por meio do cabo submarino EllaLink entre Brasil e Portugal, e garante atender requisitos de conectividade “à prova de futuro”; e BELLA-T, que prevê a conclusão da conectividade entre as redes de ensino e pesquisa avançadas da América Latina.

Para saber mais sobre o BELLA e sua contribuição para a ciência, acesse o site do projeto.
 

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