A RNP participou do Roadshow Nacional 2026 da AngoREN, a Rede Nacional de Ensino e Investigação de Angola, nos dias 11 de maio, em Luanda, e 13 de maio, em Benguela, a convite do Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação de Angola (MESCTI), no âmbito do Projeto de Desenvolvimento do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia (TEST). O evento reuniu representantes do governo, instituições de ensino superior, centros de investigação e parceiros estratégicos, incluindo empresas de telecomunicações, para apresentar a AngoREN e o Roteiro Executivo de Transformação Digital do Ensino Superior.
O Projeto TEST é uma iniciativa do Governo de Angola que tem como objetivo melhorar a qualidade dos ingressantes no ensino superior, atualizar programas em áreas estratégicas e reforçar a gestão do setor, incluindo a própria AngoREN. Com um financiamento de 200 milhões de dólares do Banco Mundial e impacto direto em mais de 185 mil beneficiários até 2028, o projeto atua em todo o território nacional, com intervenções iniciais nas províncias do Bengo, Huambo, Huíla e Uíge.
O encontro marcou um momento decisivo para a transformação do ensino superior em Angola, promovendo alinhamento estratégico, mobilização institucional e preparação concreta das instituições para uma nova realidade — mais digital, mais conectada e mais integrada.
No centro desse processo está a AngoREN, infraestrutura nacional para educação e pesquisa que permitirá:
• conectar instituições de ensino superior e centros de investigação;
• reforçar a conectividade acadêmica e ofertar demais serviços sobre ela;
• ampliar o acesso ao conhecimento e à inovação;
• integrar Angola às redes internacionais de ensino e investigação.
De forma complementar, o Roteiro de Transformação Digital do Ensino Superior, no contexto do Projeto TEST, estabelece as diretrizes para a modernização do setor, o enfrentamento dos desafios tecnológicos e o fortalecimento das capacidades institucionais, criando condições para que o ensino superior atue como motor do desenvolvimento científico, tecnológico e socioeconômico do país.
Representaram a RNP no evento o diretor de Serviços e Soluções, Antônio Carlos Fernandes Nunes, o diretor de Engenharia e Operações, Eduardo Grizendi, e a gerente de Governança e Gestão, Pilar de Almeida. Eles compartilharam a experiência brasileira na estruturação e operação de uma rede nacional de ensino e pesquisa, abordando temas como modelagem, estruturação e oferta de serviços, programas e projetos de impacto em políticas públicas, capacitação, governança, inovação aberta, infraestrutura e relacionamento institucional.

RNP como plataforma de desenvolvimento do ensino e da pesquisa
Em sua apresentação, Antônio destacou a RNP como uma plataforma estratégica de desenvolvimento tecnológico do ensino e da pesquisa no Brasil, ressaltando sua atuação como rede acadêmica nacional, sem fins lucrativos, orientada à geração de valor público.
Foram apresentados dados sobre a capilaridade da organização, que conecta milhares de instituições, campi, pesquisadores e estudantes por meio de uma infraestrutura robusta de fibra óptica e serviços digitais avançados. Ele também abordou a evolução histórica da rede, desde a introdução da internet no Brasil até seu papel atual na transformação digital, na inovação colaborativa e no apoio a políticas públicas em ciência, tecnologia e educação.
A apresentação evidenciou a experiência da RNP em programas de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), na oferta de serviços digitais especializados e na articulação de ecossistemas colaborativos, elementos considerados relevantes para inspirar e apoiar a consolidação da AngoREN.
“A participação da RNP reforça o papel estratégico da cooperação Brasil–Angola no fortalecimento das capacidades digitais, científicas e educacionais dos dois países. Ao compartilhar sua trajetória como rede acadêmica nacional responsável por apoiar a transformação digital do ensino e da pesquisa no Brasil, a RNP apresenta um modelo consolidado de atuação baseado em infraestrutura avançada, serviços digitais, programas de inovação e articulação de ecossistemas colaborativos voltados à geração de valor público e ao apoio a políticas públicas. Contribuir com a consolidação da AngoREN significa apoiar a construção de uma rede acadêmica capaz de impulsionar o ensino e a pesquisa em Angola, a partir do compartilhamento de experiências em modelagem institucional, estruturação de serviços, desenvolvimento de programas de impacto e formação de competências. Essa aproximação fortalece a cooperação Sul–Sul e reafirma o compromisso da RNP em cooperar internacionalmente no desenvolvimento de ambientes digitais colaborativos para educação, ciência e inovação”, destacou Antônio Carlos Fernandes Nunes.
Aa importância de parcerias implantação de infraestruturas ópticas robustas
A apresentação de Grizendi abordou a estratégia da RNP na implantação e sustentabilidade de suas infraestruturas ópticas – backbone e redes metropolitanas, através de parcerias com provedores e operadoras, destacando a construção de infovias estaduais e regionais no país, sempre em parceria e compartilhando a infraestrutura com as operadoras e ISPs do mercado
No contexto das redes acadêmicas, o diretor de Engenharia e Operações apresentou a RNP a partir do viés da inovação aberta, capaz de articular universidades, centros de pesquisa, empresas, startups e governo. Destacou ainda como a infraestrutura da organização — incluindo fibras ópticas, data centers e ambientes de experimentação — pode apoiar projetos de pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e novos modelos de negócio, contribuindo para o fortalecimento dos sistemas nacionais de inovação.
“Uma infraestrutura robusta para uma rede acadêmica deve ser continuamente perseguida para estar sempre disponível para os pesquisadores e educadores, não somente para uso em seu dia a dia, mas também e principalmente para atender suas demandas de TIC de suas pesquisas cientificas e tecnológicas, e de atividades educacionais no ensino superior. E isto precisa ser feito com ousadia, mas sempre se preocupando com sua sustentabilidade”, ressaltou o diretor de Engenharia e Operações.
Governança, relacionamento e modelo institucional da RNP
Já na apresentação conduzida por Pilar de Almeida, o foco esteve na governança e no modelo de relacionamento institucional da RNP. Pilar apresentou o Sistema RNP como uma comunidade colaborativa formada por instituições de ensino, pesquisa e inovação, orientada por princípios como neutralidade, transparência, compartilhamento de custos e excelência técnica.
Foram detalhadas a estrutura de governança da organização, seus conselhos e comitês, bem como os mecanismos de relacionamento com a comunidade acadêmica, órgãos governamentais e parceiros estratégicos. Ela ressaltou também a importância da atuação em rede, da cooperação institucional e do alinhamento estratégico para garantir sustentabilidade, legitimidade e impacto de longo prazo, aspectos considerados fundamentais para a estruturação da AngoREN.
“Compartilhar ideias sobre governança, oportunidades e desafios de sustentabilidade de redes acadêmicas, em seus diferentes contextos e características, é uma experiência muito rica! Alem disso, percebi forte alinhamento da equipe do ministério e da comunidade acadêmica com a iniciativa da AngoREN. Grandes expectativas para a continuidade da nossa cooperação”, afirmou Pilar.
A participação no roadshow Nacional 2026 da AngoREN reforça o compromisso da RNP com a cooperação internacional, a troca de experiências e o fortalecimento de redes acadêmicas como instrumentos estratégicos para a transformação digital do ensino, da ciência e da promoção da inovação ao redor do mundo.
