Foto: Lula Lopes – ASCOM/CAPES
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), vinculada ao Ministério da Educação (MEC) e parceira de longa data de projetos da RNP, realizou no dia 28 de abril a live “Lançamento do Coleta+ e Interoperabilidade”, para apresentar o avanço de iniciativas estratégicas voltadas à integração e qualificação dos dados da pós-graduação brasileira.
O evento online reuniu cerca de 2 mil participantes, entre gestores, pró-reitores, bibliotecários, coordenadores de programas de pós-graduação e especialistas em tecnologia. Entre os principais anúncios realizados, esteve a apresentação do Novo Coleta (Sucupira 2.0), que substitui o sistema legado na Plataforma Sucupira – desenvolvida em parceria com a RNP – e inaugura uma nova fase na gestão de informações acadêmicas.
Além disso, também foram detalhadas a nova forma de adesão ao Programa de Governança Colaborativa de Informações da Pós-Graduação (GoPG), as atualizações nas telas de coleta de dados e as ações de interoperabilidade com repositórios institucionais. O conjunto dessas iniciativas reforça uma agenda alinhada à Ciência Aberta no Brasil.
Outro destaque do encontro foi o lançamento do curso Introdução a Identificadores Persistentes (PIDs), desenvolvido pela CAPES com o apoio da RNP, por meio da Escola Superior de Redes (ESR). A formação foi concebida para capacitar pesquisadores e gestores no uso de identificadores persistentes, tecnologia essencial para automação de fluxos de dados e garantia da integridade da informação científica.
Construído de forma colaborativa desde 2025, o curso contou com revisão de especialistas da RNP e do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), além de contribuições de iniciativas globais como ORCID (Open Researcher and Contributor ID), ROR (Research Organization Registry) e Scopus ID. A formação é online, gratuita e possui carga horária de 10 horas, permitindo o acesso por diferentes perfis da comunidade acadêmica.
Essa é uma iniciativa que fortalece o papel da RNP como operadora nacional do consórcio ORCID e amplia o papel da organização na formação técnica por meio da ESR, além de reforçar sua contribuição como indutora de infraestrutura crítica para dados de pesquisa no país.
“Trata-se de um curso disponibilizado pela Escola Superior de Redes, dentro da Trilha de Ciência Aberta. Mais do que lançar um curso, está sendo ativada uma peça importante da infraestrutura da ciência aberta brasileira”, destacou o especialista em Ciência da Informação da RNP, Robson Almeida, que apresentou o novo curso durante a live junto com a coordenadora de Governança de Dados da CAPES, Katyusha Souza.
Identificadores persistentes: base para integração e confiabilidade dos dados científicos
Os identificadores persistentes são códigos individuais atribuídos a pesquisadores, organizações, publicações e conjuntos de dados, o que permite a localização e referência ao longo do tempo, mesmo que haja mudanças em plataformas ou endereços digitais. Exemplos como ORCID iD e DOI são essenciais para garantir a rastreabilidade, a interoperabilidade e a preservação do dado científico.
No âmbito da pós-graduação, tais identificadores contribuem diretamente para atribuir corretamente a autoria de pesquisas, viabilizar a conexão entre pesquisadores e instituições, validar processos de avaliação e fazer a gestão de grandes volumes de dados. Além disso, o uso de PIDs evitam problemas como acesso a conteúdo com links quebrados e inconsistências de informação, sendo relevantes também para apoiar a formulação de políticas públicas mais eficazes em educação, ciência e tecnologia.
“A gente pensou nesse curso entendendo a necessidade de compartilhar esse conhecimento, de tentar padronizar o conhecimento que as pessoas têm do identificador persistente. Então, para as pessoas entenderem basicamente o que que é o identificador persistente, por quê ele existe, para quê ele está sendo usado, para quem ele está disponível”, relembrou Katyusha.
Nesse contexto, Robson explicou que o curso gera um ciclo onde a educação gera demanda institucional:
“Essa capacitação é a base para que a gente imagine que mais pessoas estejam conscientes da importância desses dados de qualidade interoperáveis por meio dos identificadores persistentes. A partir disso, pesquisadores passam a adotar seus perfis da forma mais completa possível, gerando uma demanda na instituição em acompanhar todo esse fluxo e ter acesso a APIs mais completas, para então procurar a RNP e aderir ao consórcio ORCID, por exemplo”.
Com isso, CAPES, RNP e instituições parceiras reforçam o compromisso com a qualidade, a transparência e a integração da informação científica, alinhando o Brasil às melhores práticas internacionais em Ciência Aberta.
A live de lançamento está disponível no canal da CAPES no YouTube.