6G: o que muda em relação ao 5G e o futuro da conectividade 

Home 9 Blog 9 6G: o que muda em relação ao 5G e o futuro da conectividade 

Em abril de 1973, Martin Cooper, engenheiro da Motorola, realizou a primeira ligação de celular da história. O aparelho estava longe de lembrar os smartphones atuais: pesava quase 1 quilo, oferecia apenas 30 minutos de bateria e precisava de 10 horas de recarga. Mas foi ali que começou uma revolução na forma como o mundo se comunica. 

Do 1G inaugurado nos anos 1980 ao 5G atual, cada geração de rede móvel abriu novas possibilidades. Agora, as atenções se voltam para um novo capítulo: o 6G, que promete levar a conectividade a patamares inéditos e transformar radicalmente a interação entre pessoas, máquinas e ambientes digitais. 

Em abril de 1973, Martin Cooper, engenheiro da Motorola, realizou a primeira ligação de celular da história. O aparelho, que pesava quase 1 quilo, apenas 30 minutos de bateria e realizava somente ligações. Nos anos seguintes, o desenvolvimento das redes móveis levou a internet aos aparelhos móveis. Se antes uma mensagem poderia demorar alguns minutos para chegar de um aparelho ao outro, hoje conexões ultrarrápidas e em larga escala permitem desde ligações em videochamada até o carregamento de streamings e geolocalização em tempo real. 

Nessa sucessão de revoluções que marca a recente história das redes móveis, avançam as discussões sobre o 6G, o próximo passo. Mais do que velocidade, ele promete integrar pessoas, máquinas e ambientes digitais, transformando radicalmente a forma como vivemos e trabalhamos. 

O que é o 5G e como ele funciona 

A rede móvel é um sistema que permite que celulares, tablets e outros dispositivos façam chamadas sem fio e acessem a internet. Ela funciona por meio de torres e antenas que transmitem sinais de rádio entre os aparelhos e a infraestrutura da operadora. 

Ao longo das gerações, essas redes evoluíram em velocidade, estabilidade e capacidade.  

5G, lançado em 2019, trouxe internet ultrarrápida, menor latência (tempo de resposta quase instantâneo) e capacidade de conectar múltiplos dispositivos simultaneamente. Esse avanço é essencial para a Internet das Coisas (IoT), habilitando aplicações como carros autônomos, cidades inteligentes, cirurgias remotas e realidade virtual. 

Enquanto o 4G transformou o smartphone em uma central de vídeos, aplicativos e redes sociais, o 5G abriu caminho para novas experiências digitais, inteligência embarcada e automação avançada, conectando de forma massiva pessoas, máquinas e sensores. 

Principais desafios e limitações do 5G

6G, previsto para chegar comercialmente por volta de 2030, deve superar essas barreiras. Mais do que velocidade, oferecerá uma rede inteligente, adaptativa e global, com cobertura ampliada por satélites e drones, além de maior eficiência energética e segurança nativa. 

Segundo Fernando Faria, coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento na RNP, o 6G abrirá espaço para aplicações inéditas: “A rede será capaz de ‘sentir’ e ‘enxergar’ o ambiente com sensores inteligentes e IA generativa, tornando possíveis experiências imersivas de nova dimensão, como holografias interativas, realidade aumentada fluida e ambientes virtuais hiper-realistas, recursos até então restritos à ficção científica”. 

Pesquisas indicam que o 6G pode alcançar velocidades de até 100 Gbps, chegando a 1 Tbps em condições ideais. Esse é um salto em relação ao 5G, que atinge até 20 Gbps. Países como Japão, China e Estados Unidos já conduzem testes avançados para acelerar o desenvolvimento. Além da velocidade, o 6G trará uma conectividade massiva e robusta, suportando mais dispositivos e sensores simultaneamente.  

“A tecnologia 6G, próxima fronteira da conectividade móvel e promete uma verdadeira revolução tecnológica. Prevista para chegar comercialmente por volta de 2030, a nova geração deve contar com Inteligência Artificial integrada para otimizar o fluxo de dados e se adaptar dinamicamente às necessidades dos usuários, além de oferecer uma cobertura verdadeiramente global, incluindo áreas remotas, rurais ou de difícil acesso graças ao uso de satélites e drones.” 
Fernando Faria  

Outro diferencial será a eficiência energética, otimizada para reduzir desperdícios por meio de protocolos e hardware inteligentes. A segurança e a privacidade também serão reforçadas desde o design da rede, com novos modelos de confiança e proteção de dados, garantindo uma comunicação confiável e segura para todos os usuários. O 6G, portanto, representa não apenas um aumento de velocidade, mas uma transformação completa na forma como a tecnologia conecta pessoas, dispositivos e cidades.

Brasil, RNP e o 6G

Diferente do cenário do 5G, o Brasil busca protagonismo no 6G. O programa Brasil 6G, conduzido pela RNP em parceria com o Inatel, já está em sua terceira fase. Um dos pilares é a criação da Plataforma Brasil 6G, um ambiente experimental que reúne servidores, rádios definidos por software (SDR), sensores, antenas e computação de alta performance. O objetivo é permitir pesquisas avançadas em IA e aplicações de grande escala. 

Atualmente em sua terceira fase, o programa Brasil 6G é executado pela RNP em parceria com o Inatel e tem como um de seus pilares a criação da Plataforma Brasil 6G. 

Esse testbed experimental será aberto a pesquisadores de dentro e fora do projeto, reunindo recursos como servidores, rádios definidos por software (SDR), sensores, antenas e um ambiente de Computação de Alta Performance (HPC). A estrutura permitirá o desenvolvimento de soluções avançadas em Inteligência Artificial, capazes de lidar com grandes volumes de dados e aplicações de alta complexidade. 

“O 6G é uma tecnologia que se concretiza para estar disponível em 2030, tanto que a própria ANATEL prevê o leilão de espectro correspondente entre 2027 e 2028. Essa evolução é acelerada pela integração do 6G com a filosofia Open RAN, que quebra o paradigma de soluções fechadas e proprietárias de um único fabricante (vendor lock-in). Assim, impulsionado pelo projeto Brasil 6G, o país deixa de ser apenas um futuro consumidor para se tornar um agente ativo na criação da próxima revolução das comunicações móveis”. 
Fernando Faria

O governo federal, por meio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), aprovou um investimento superior a R$58 milhões para o setor de telecomunicações, incluindo infraestrutura 6G com foco em inteligência artificial, segurança e privacidade. O programa envolve diversas instituições e prevê aplicações em áreas estratégicas como agricultura de precisão, monitoramento em tempo real de clima, solo e cultivo, além de ampliar conectividade em regiões remotas e ambientes complexos. 

Impactos esperados para educação, pesquisa e sociedade com o 6G 

  • Educação: com redes mais rápidas e confiáveis, laboratórios virtuais, realidade virtual/aumentada, simulações remotas ficam mais viáveis; estudantes em locais afastados terão maior acesso a conteúdo de alta qualidade. 
  • Pesquisa: capacidade de testar novas aplicações, modelos computacionais distribuídos, uso de grandes volumes de dados em tempo real, colaboração internacional com menor latência. 
  • Serviços públicos e saúde: telemedicina avançada, diagnósticos remotos com alta precisão, resposta emergencial mais rápida, monitoramento ambiental. 
  • Inclusão digital: se bem implementado, o 6G pode ajudar a reduzir disparidades de acesso, especialmente no interior, comunidades remotas. 
  • Sociedade em geral: cidades inteligentes mais inteligentes, transporte autônomo, Internet das Coisas mais omnipresente, novas oportunidades para indústria, entretenimento etc.