Da universidade à inclusão digital, Reabnet cria projeto social para capacitar estudantes em tecnologias para saúde

janeiro 16, 2026
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A iniciativa nasceu de pesquisas acadêmicas, avançou para o mercado e conta com a RNP para operar em rede e alcançar diferentes regiões do país

A distância entre a produção acadêmica e a aplicação prática da tecnologia ainda é um desafio recorrente no Brasil, especialmente quando o objetivo é gerar impacto social. No campo da saúde digital e da formação em tecnologia, iniciativas que conseguem atravessar essa fronteira seguem como exceção. É nesse cenário que se insere a trajetória da Reabnet e a criação do Projeto STELAS (Sistemas e Tecnologias por Elas). A startup surgiu a partir de pesquisas desenvolvidas na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), avançou para o mercado com soluções voltadas à reabilitação motora e cognitiva e, a partir dessa experiência, estruturou um programa social focado na formação de meninas e mulheres em tecnologia e saúde digital.

Idealizado por Eduardo Naves, fundador da Reabnet, o STELAS nasce da combinação entre a atuação da empresa em telessaúde e a percepção, no ambiente acadêmico, sobre a baixa presença feminina nas áreas de tecnologia, engenharia e computação. “Ao longo da existência de projetos de telessaúde e telerreabilitação, ficou evidente que a transformação digital na saúde exige não apenas tecnologia, mas também formação, inclusão e diversidade”, afirma o engenheiro.

O projeto usa recursos como jogos digitais, inteligência artificial e plataformas online para despertar o interesse de meninas — principalmente de escolas públicas — por carreiras ligadas à tecnologia e à saúde digital. Segundo Naves, o princípio é o mesmo que orientou o desenvolvimento da Reabnet desde o início. “STELAS e Reabnet compartilham a ideia de usar a tecnologia como ferramenta para reduzir desigualdades”, diz.

A entrada da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) na trajetória da Reabnet aconteceu por meio do programa de Pesquisa & Desenvolvimento da organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em 2021. De acordo com Naves, o apoio foi decisivo para que a solução amadurecesse e pudesse ser aplicada em contextos reais, com múltiplas instituições envolvidas. “A RNP entra quando a tecnologia deixa de ser apenas um protótipo acadêmico e passa a demandar robustez, integração em rede e visão de longo prazo”, explica.

O ambiente de aceleração promovido pela RNP foi fundamental para viabilizar a distribuição geográfica do STELAS. A infraestrutura e o ecossistema de experimentação da organização garantiram conectividade, estabilidade e condições para testar e aprimorar as soluções em diferentes realidades regionais. “Isso ajudou a reduzir riscos e deu mais segurança para que o projeto ganhasse escala, sem perder o foco no impacto social”, conta Naves.

Hoje, o STELAS atua como uma ponte entre educação básica, universidade e inovação em saúde digital. Para Naves, o impacto do projeto vai além da formação técnica: “Existe um efeito simbólico importante, que é permitir que meninas se reconheçam como produtoras de tecnologia. Ao mesmo tempo, há um impacto concreto, com formação, contato com tecnologias emergentes e aproximação com o ambiente universitário.”

A participação da Reabnet no ecossistema da RNP também facilitou a articulação com universidades e grupos de pesquisa de diferentes regiões do país. Essas conexões ajudaram a consolidar o caráter colaborativo do STELAS. “Essa lógica de rede é um dos principais diferenciais do projeto e está diretamente alinhada à missão da RNP”, diz o fundador da startup.

Para os próximos anos, a expectativa é ampliar o número de turmas, aprofundar os conteúdos em saúde digital e estruturar trilhas de formação conectadas a programas de graduação, extensão e pesquisa. A continuidade da parceria com a RNP, segundo Naves, é estratégica para sustentar esse crescimento. “Transformar pesquisa em solução real exige rede, infraestrutura e ambientes seguros para experimentar. A RNP tem um papel central nessa ponte entre universidade e sociedade”, conclui. O Projeto STELAS é desenvolvido a partir do Curso Introdutório de Tecnologias Emergentes (CITE), voltado a alunas do Ensino Fundamental e Médio de escolas públicas selecionadas. Instituições interessadas em conhecer a iniciativa ou participar de futuras edições podem entrar em contato com a equipe do projeto pelo e-mail projetostelas@gmail.com.

Imagem: Divulgação Universidade Federal de Roraima (UFRR).