O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), concluiu uma nova etapa de implantação da Rede de e-Ciência da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) com a ativação de uma conexão de 100 G/s. A entrega, realizada nesta terça-feira (30) durante o 2º Workshop da Rede de e-Ciência, marca o início de uma nova fase da operação da infraestrutura no âmbito do Programa Conecta, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) – coordenado e executado pela RNP – e representa um novo passo para ampliar a capacidade do Brasil de desenvolver pesquisas científicas intensivas em dados.
A Rede de e-Ciência foi criada para conectar instituições de pesquisa que atuam na chamada Big Science, isto é, projetos científicos de grande porte que produzem e analisam enormes volumes de informações. Mais do que oferecer uma conexão de alta velocidade, a iniciativa permite que laboratórios e centros de pesquisa compartilhem dados, utilizem recursos computacionais distribuídos e desenvolvam pesquisas colaborativas com segurança e alto desempenho.
Inicialmente, a infraestrutura atenderá os quatro laboratórios nacionais do Centro, com o objetivo de conectá-los ao Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) em Petrópolis (RJ) até o final de 2026. A expectativa é que, gradualmente, outras instituições brasileiras de ciência e tecnologia também passem a integrar essa rede nacional de colaboração científica.
Para o diretor-geral da RNP, Lisandro Granville, a Rede de e-Ciência representa a evolução natural da infraestrutura nacional de ensino e pesquisa para atender às demandas de uma ciência cada vez mais digital.
“Os avanços tecnológicos da rede nacional de ensino e pesquisa permitem que iniciativas como a Rede de e-Ciência se materializem. Trata-se de uma infraestrutura viva, especializada e preparada para evoluir à medida que novas tecnologias surgem.”
Ele destacou que a parceria entre a RNP e instituições de excelência, como o CNPEM, permite cumprir a missão de disponibilizar infraestrutura avançada para a pesquisa científica brasileira.
Conectividade para aplicações de alto desempenho
Equipamentos científicos de grande porte, como o acelerador de partículas Sirius, instalado no CNPEM, produzem quantidades gigantescas de informações durante seus experimentos. Em muitas pesquisas, um único conjunto de imagens pode gerar terabytes de dados. Com a conexão de 100 G/s, torna-se possível utilizar recursos computacionais distribuídos em diferentes instituições do país de forma muito mais eficiente.
O diretor-geral do CNPEM, José Roque, disse que esse avanço concretiza uma expectativa do Sirius de processar um alto volume de informações e dados utilizando a infraestrutura computacional disponível em outras instituições, como o LNCC. “A Rede de e-Ciência começa a transformar esse cenário em realidade”, resumiu.
Ele ainda comentou que o ganho vai além da velocidade de transmissão e destacou o papel da RNP. “Estamos construindo uma rede nacional que permite navegar pelo universo da computação de alto desempenho, olhando para o Brasil como um todo. Sem a RNP estaríamos na idade da pedra do ponto de vista da conectividade. A RNP é fundamental para a ciência brasileira.”
Durante a cerimônia, o secretário em exercício de Ciência e Tecnologia para Transformação Digital do MCTI, Hugo Valadares, destacou que investimentos em infraestrutura são fundamentais para ampliar a capacidade científica do país e fortalecer sua presença em iniciativas internacionais de pesquisa.
“O Ministério atua criando políticas públicas, articulando recursos e promovendo as condições necessárias para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia. Quem transforma esse investimento em resultados concretos são instituições como o CNPEM e a RNP.”
Segundo ele, o fortalecimento da infraestrutura científica também amplia a participação do Brasil em cooperações internacionais e contribui para consolidar o país como produtor de conhecimento e tecnologia.
Uma rede para pesquisadores
Diferentemente das redes convencionais de internet, a Rede de e-Ciência foi projetada para atender às necessidades específicas da pesquisa científica, oferecendo conectividade de alto desempenho, segurança e serviços voltados ao compartilhamento de grandes volumes de dados.
Segundo a gerente de e-Ciência da RNP, Débora Reis, o objetivo é tornar a colaboração científica entre instituições mais simples e eficiente.
“A Rede de e-Ciência é uma rede segura criada para habilitar a movimentação de grandes volumes de dados científicos. Além da tecnologia que permite essas transferências, existe a necessidade de colaboração entre instituições. A rede viabiliza esse compartilhamento entre organizações geograficamente distantes, reduzindo significativamente o tempo de transferência de dados e garantindo o desempenho necessário para a pesquisa.”
Ela ressalta que o propósito da iniciativa vai além da conectividade. “Nosso objetivo é permitir que a colaboração entre instituições diferentes aconteça de forma fluida.”
Benefícios à sociedade
A conexão de 100 G/s é cerca de mil vezes mais rápida do que a velocidade média das conexões residenciais no Brasil, mas seu principal impacto está na capacidade de acelerar a produção científica.
Ao permitir que pesquisadores compartilhem grandes volumes de dados, utilizem supercomputadores localizados em outras instituições e trabalhem de forma integrada, a Rede de e-Ciência reduz barreiras geográficas e amplia a colaboração nacional em áreas estratégicas como física de partículas, inteligência artificial, genômica, modelagem climática, novos materiais e outras pesquisas intensivas em dados.
Na prática, isso significa criar condições para que descobertas científicas ocorram de forma mais rápida e colaborativa, fortalecendo a capacidade do Brasil de desenvolver soluções para desafios nas áreas de saúde, energia, meio ambiente, indústria e inovação. Com a expansão da Rede de e-Ciência para novas instituições, o Programa Conecta contribuirá para modernizar a infraestrutura científica nacional e aproximar o país dos padrões internacionais de pesquisa de grande porte.
Saiba mais sobre a Rede de e-Ciência.
Fotos: Danilo Rondina
