Keynotes do evento, Kizzy Terra e Hallison Paz defendem formação profissional para evitar que a IA amplie desigualdades
A inteligência artificial (IA) promete ganhos de produtividade e facilitar o acesso à informação, mas também pode ampliar desigualdades e deixar parte da população para trás caso a capacitação profissional e o acesso à tecnologia não avancem no mesmo ritmo. A avaliação é dos especialistas em tecnologia e educação digital Hallison Paz e Kizzy Terra, keynotes do Fórum RNP 2026.
A discussão integra a programação do evento, que será realizado entre 24 e 27 de agosto, em Brasília, com transmissão online. Com o tema “Soberania Digital – Dados, IA e Pessoas”, o encontro reunirá especialistas para debater os impactos das novas tecnologias na sociedade, na educação e no desenvolvimento do país. Fundadores do canal Programação Dinâmica, referência em educação tecnológica e ciência de dados, Paz e Kizzy participam no dia 25, abordando desafios ligados à formação profissional, inclusão digital e soberania em um cenário cada vez mais influenciado pela IA.
Para os especialistas, a inteligência artificial já traz benefícios concretos ao cotidiano, mas também impõe novos desafios relacionados ao letramento digital e à qualificação profissional — especialmente para quem não cresceu em um contexto marcado por essas tecnologias ou passou a utilizá-las no trabalho sem preparação adequada. Nesse cenário, crescem as preocupações com os impactos da IA no mercado de trabalho.
“À medida que essas tecnologias passam a executar tarefas antes realizadas por humanos, de forma mais rápida — ainda que nem sempre com a mesma qualidade ou capacidade de julgamento — surgem mudanças nas profissões e nas relações de trabalho, com possíveis impactos sobre a geração de renda. Isso contribui para o aumento da ansiedade social”, explica Kizzy Terra.
Ao mesmo tempo em que amplia oportunidades ao democratizar o acesso a ferramentas e informações antes restritas a grandes organizações, a IA traz impactos que não são inevitáveis. Segundo os especialistas, eles dependem das escolhas feitas por empresas, governos e pela própria sociedade.
Embora considerem legítimo o receio de substituição de profissionais, Paz e Kizzy destacam que o uso da tecnologia nas organizações é resultado de decisões humanas e não da IA em si.
“Esse não é um fenômeno inevitável. A adoção de sistemas de IA, a automação de atividades e as decisões de contratação ou substituição de profissionais são escolhas feitas por pessoas e organizações. Por isso, é fundamental que tomadores de decisão assumam a responsabilidade pelos impactos sociais e econômicos dessas transformações”, afirma Hallison Paz.
Para a dupla, preparar pessoas para uma realidade moldada pela IA exige mais do que domínio técnico. Habilidades como pensamento crítico, capacidade analítica e adaptação tendem a ganhar ainda mais relevância em um cenário de mudanças constantes.
Eles destacam que esse processo começa antes da formação profissional. O Brasil ainda enfrenta desafios em áreas fundamentais, como leitura, interpretação de texto e matemática, o que dificulta a formação de especialistas em setores estratégicos da economia digital.
“Não há soberania sem investimento em ciência e educação. Quando falamos em soberania digital, não se trata apenas de infraestrutura ou desenvolvimento tecnológico. Ela depende da capacidade das pessoas de compreender, utilizar e participar das decisões sobre essas tecnologias. Nossa expectativa no Fórum RNP é contribuir para esse debate e promover a troca de experiências”, afirma Kizzy.
