RNP apresenta avanços do Consórcio ORCID Brasil em encontro internacional no Canadá

março 13, 2026
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Entre os dias 4 e 6 de março, lideranças de consórcios ORCID (Open Researcher and Contributor ID) de diversos países se reuniram em Vancouver (Canadá) para o ORCID Consortia Lead Workshop, encontro dedicado à troca de experiências e ao debate sobre estratégias de adoção de identificadores persistentes (PIDs) na infraestrutura global de pesquisa. 

O ORCID iD é um identificador digital único para pesquisadores — frequentemente comparado ao “CPF do pesquisador” — que permite conectar de forma confiável autores, instituições e produções científicas, facilitando a identificação correta de pesquisadores e a integração de dados entre sistemas acadêmicos. 

O evento foi promovido pela Canadian Research Knowledge Network (CRKN), operadora do consórcio no país. Representando o Brasil, a RNP apresentou a evolução do Consórcio ORCID Brasil e os planos para ampliar a adoção do identificador na infraestrutura científica nacional. 

workshop também reuniu representantes dos consórcios dos Estados Unidos, Japão e Suécia – operado pela rede acadêmica nacional SUNET –, além do Consórcio Regional da América Latina e Caribe (LAC), coordenado pela Colômbia. A presença de redes nacionais de ensino e pesquisa na operação de consórcios, como ocorre na Suécia e no Brasil, evidencia o papel dessas organizações no fortalecimento das infraestruturas digitais de pesquisa. 

Dentro da programação, também foram realizadas apresentações dos países participantes e de instituições convidadas, mesas de discussões temáticas, sessões estratégicas sobre o futuro da infraestrutura ORCID e diálogos com o board da organização sobre as diretrizes do novo plano estratégico para o período até 2030. 

Durante as comunicações iniciais (lightning talks), o especialista em Ciência da Informação da DAGSol, Robson Almeida, destacou o crescimento acentuado de registros ORCID no Brasil no último ano, impulsionado em grande parte pelos acordos transformativos estabelecidos pela CAPES com editoras científicas, que passaram a exigir o identificador para a concessão de isenções em taxas de publicação (APCs). 

“Quando políticas públicas passam a utilizar identificadores persistentes como parte dos fluxos operacionais da pesquisa, o ORCID deixa de ser apenas uma recomendação técnica e passa a se tornar uma peça essencial da infraestrutura digital da pesquisa brasileira, com reflexos diretos na confiabilidade dos dados da avaliação da pós-graduação”, explicou. 

A apresentação também abordou o trabalho de expansão do Consórcio ORCID Brasil, conduzida pela RNP+, responsável por viabilizar a adesão de universidades e instituições de pesquisa. O objetivo é ampliar o acesso dessas instituições ao modelo consorcial, baseado em governança participativa, e responder à crescente demanda da comunidade acadêmica por integrações com os repositórios digitais e serviços de publicação científica. 

Outro tema apresentado pelo especialista da RNP foi a evolução da Plataforma Sucupira, da CAPES, que passará a coletar automaticamente dados de produção científica diretamente dos repositórios institucionais. Nesse cenário, registros ORCID completos e corretamente conectados se tornam essenciais para garantir a confiabilidade e a interoperabilidade entre diferentes sistemas, como plataformas de gerenciamento de periódicos, repositórios digitais e bases de dados acadêmicas. 

Essas funcionalidades dialogam com o serviço Researcher Connect, apresentado durante o workshop, que facilita o relacionamento entre instituições e pesquisadores. A ferramenta oferece fluxos padronizados que permitem convidar autores a conectar seus ORCID iDs e autorizar o compartilhamento de informações entre sistemas acadêmicos. 

Como parte do fortalecimento do ecossistema de identificadores persistentes no país, também foi anunciado durante o encontro o Curso de Introdução a Identificadores Persistentes. A iniciativa foi idealizada pela CAPES, responsável pelo desenvolvimento do conteúdo, com a participação da RNP e do IBICT (Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia). O curso será oferecido gratuitamente pela Escola Superior de Redes (ESR) e tem como objetivo de ampliar a compreensão da comunidade acadêmica sobre o papel dos PIDs na gestão e na circulação da informação científica. 

Além das discussões sobre consórcios e infraestrutura de pesquisa, o encontro também contou com a participação de convidados da comunidade internacional de publicação científica, com destaque para os desenvolvedores do Public Knowledge Project (PKP), organização responsável pelo Open Journal Systems (OJS), sistema de gestão de publicação científica amplamente utilizado no mundo. 

Durante a sessão, foram apresentadas novidades nas integrações entre o ORCID e o OJS (versões 3.5 e 3.6). Esse tipo de integração é particularmente relevante para países com ecossistemas amplos de periódicos acadêmicos, como o Brasil, onde plataformas editoriais e iniciativas como o SciELO têm papel central na disseminação da produção científica. 

Para Paloma Marín-Arraiza, diretora associada de engajamento da ORCID, encontros presenciais com organizações líderes são fundamentais para fortalecer alianças e alinhar o roteiro estratégico da organização aos diferentes contextos nacionais.  

“Estes encontros oferecem múltiplas oportunidades para discutir a aplicação da ORCID desde a infraestrutura nacional de pesquisa até as políticas públicas. Especificamente no contexto brasileiro, temos uma grande oportunidade à frente para incentivar a adoção do identificador nas infraestruturas institucionais, em alinhamento com os guias de interoperabilidade”, destacou a diretora, que ressaltou a importância da participação da RNP no encontro. 

O consórcio brasileiro 

O Consórcio ORCID Brasil foi criado em 2018 sob liderança da CAPES, com a participação de organizações estratégicas do sistema científico nacional, como CNPq, IBICT, CONFAP e SciELO. 

Nesse arranjo, a RNP atua como operadora nacional do consórcio, apoiando integrações técnicas, promovendo a adoção do identificador e estruturando o modelo de expansão institucional por meio da oferta via RNP+. 

“Estamos observando um movimento crescente de universidades interessadas em integrar seus sistemas e repositórios ao ORCID. O modelo consorcial permite apoiar essa adoção de forma coordenada, oferecendo infraestrutura, capacitação e integração com os sistemas nacionais de pesquisa”, destacou Robson Almeida. 

A construção de uma infraestrutura nacional de identificadores persistentes, da qual o ORCID é um elemento central, fortalece sistemas estruturantes da ciência brasileira, como a Plataforma Lattes (CNPq) e a Plataforma Sucupira (CAPES), ampliando a integração entre pesquisadores, instituições e mecanismos de avaliação científica. 

O Brasil ocupa uma posição singular nesse ecossistema, pois foi o primeiro país da América Latina a estabelecer um consórcio nacional ORCID, refletindo a escala do sistema científico brasileiro e o grande volume de pesquisadores e instituições.