Rede de e-Ciência da RNP como infraestrutura estratégica para o Genomas Brasil 

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A RNP opera a Rede de e-Ciência para conectar centros de pesquisa com demandas avançadas de processamento, análise e compartilhamento de grandes volumes de dados genômicos, viabilizando o maior programa de genômica em saúde pública do Brasil 

O desafio: dados genômicos em escala nacional 

O Programa Nacional de Genômica e Saúde de Precisão – Genomas Brasil – foi lançado em 2020 pelo Ministério da Saúde com a missão de incorporar a genômica ao Sistema Único de Saúde (SUS), que atende mais de 200 milhões de pessoas. Entre seus objetivos centrais estão a criação de um genoma de referência da população brasileira, o desenvolvimento de um banco nacional de dados genômicos e clínicos, e o fortalecimento da capacidade científica do país nessa área. 

Projetos financiados pelo programa resultaram em cerca de 118 mil genomas completos mapeados, dos quais aproximadamente 60 mil já foram sequenciados. Em 2024, o GenomaSUS – principal frente de implementação – estabeleceu a meta de sequenciar o genoma de 21 mil brasileiros em todas as regiões do país, ampliando a representatividade da base de dados nacional e impulsionando abordagens terapêuticas personalizadas, especialmente para doenças raras e crônicas. 

Esse volume massivo de dados genômicos – altamente sensíveis e sujeitos a requisitos rigorosos de proteção, controle de acesso e governança – exige uma infraestrutura de rede robusta, segura e de alto desempenho. É nesse ponto que a RNP atua como parceira estratégica. 

Fonte da imagem: Ministério da Saúde (gerada via NotebookLM)

A solução: Rede de e-Ciência e o Programa Conecta 

A RNP opera a Rede de e-Ciência, uma infraestrutura dedicada a centros de pesquisa com demandas avançadas de processamento, análise, transmissão e armazenamento de grandes volumes de dados científicos. A rede funciona como um túnel de alta velocidade exclusivo entre instituições – separado do tráfego convencional de e-mail, navegação e videoconferência –, garantindo fluxo seguro e sem interferências para transferências massivas de dados. 

Com velocidade mínima de 100 Gb/s (mil vezes mais rápida do que a média das conexões residenciais no Brasil), a rede reduz de dias ou horas para minutos o tempo de transferência de grandes conjuntos de dados genômicos entre instituições. Além da conectividade, as instituições participantes têm acesso a: 

Equipamentos de última geração: switches com portas de 100 Gb/s e servidores para transferência de dados em alto desempenho (DTN). 

Serviços especializados: consultorias em engenharia de redes e segurança da informação, avaliações de riscos cibernéticos e infraestrutura para gerenciamento remoto. 

Centros Nacionais de Dados (CNDs): serviço da RNP para armazenamento de grandes volumes de informação, conectado diretamente à Rede de e-Ciência. 

Essa infraestrutura é executada pela RNP no âmbito do Programa Conecta, supervisionado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e financiado com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), dentro do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal. A meta é conectar 16 instituições à Rede de e-Ciência até 2026. 

ICTs usuárias da Rede de e-Ciência 

Instituições da implantação inicial: 

LNCC Laboratório Nacional de Computação Científica Senai Cimatec Centro de Inovação e Tecnologia 
CPTEC-INPE Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos Cenpes/Petrobras Centro de Pesquisas da Petrobras 

Instituições incorporadas via Programa Conecta (2024): 

CNPEM Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais CBPF Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas 
Embrapa Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Unesp Universidade Estadual Paulista 
LaMCAD/UFG Lab. Multiusuário de Computação de Alto Desempenho – UFG Ufes Universidade Federal do Espírito Santo 

Parceiros do eixo saúde/GenomasSUS (seleção da 2ª chamada pública, 2025): 

Fiocruz (PR) Pesquisa em saúde pública UFMG Universidade Federal de Minas Gerais 
UFRJ Universidade Federal do Rio de Janeiro INC Instituto Nacional de Cardiologia 
Senai Cimatec Centro de Inovação e Tecnologia UFPA Universidade Federal do Pará – Centro Âncora da Amazônia 

Caso de uso: UFPA e o Centro Âncora da Amazônia 

Universidade Federal do Pará (UFPA) é um dos exemplos mais expressivos do impacto da Rede de e-Ciência. Selecionada na segunda chamada pública da RNP (publicada em janeiro de 2025), a UFPA passou a integrar a rede por meio do Projeto Genomas SUS, desenvolvido pelo seu Laboratório de Genética Humana e Médica (LGHM) em colaboração com o Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação (CTIC). 

Com a adesão, o LGHM passa a contar com conectividade dedicada de, no mínimo, 100 Gb/s – dez vezes superior à capacidade anteriormente disponível na instituição. Segundo Marco Aurélio, diretor do CTIC, trata-se de “um salto significativo na infraestrutura de rede da UFPA, que permitirá atender com eficiência às demandas crescentes das nossas pesquisas”

A coordenadora do Centro Âncora da Amazônia do Projeto Genoma SUS, Profª. Drª. Ândrea Ribeiro dos Santos, destaca que a proposta contempla a caracterização dos aspectos genômicos que impactam o processo saúde-doença da população brasileira: “Trata-se de uma iniciativa que fortalece a integração entre pesquisa de vanguarda e saúde pública, ao mesmo tempo em que posiciona a UFPA como protagonista na produção de conhecimento científico aplicado à realidade socioambiental da Amazônia”

A UFPA passa a colaborar diretamente com as demais instituições do eixo saúde da rede – Fiocruz (PR), UFMG, UFRJ, INC e Senai Cimatec –, estabelecendo conexões diretas para pesquisas colaborativas em larga escala. 

Impactos: ciência, equidade e inovação no SUS 

Avanço científico: o acesso a bases genômicas amplas e representativas amplia o potencial de descoberta, permitindo identificar variantes genéticas e padrões associados a doenças com maior precisão, acelerando diagnósticos e o desenvolvimento de terapias mais eficazes. 

Redução de desigualdades regionais: ao fortalecer centros de pesquisa em diferentes regiões – incluindo a Amazônia, com a UFPA como âncora regional –, o programa amplia o acesso à inovação diagnóstica em todo o território, tornando a ciência mais inclusiva e representativa. 

Eficiência do SUS: ao integrar dados genômicos e clínicos por meio de infraestrutura segura e interoperável, o programa contribui para diagnósticos mais rápidos, tratamentos personalizados e uso mais eficiente dos recursos públicos em saúde. 

Posicionamento estratégico: ao integrar dados, infraestrutura e colaboração científica em escala nacional, o Genomas Brasil posiciona o Brasil de forma competitiva no cenário global da genômica, com a RNP como protagonista da conectividade que sustenta essa transformação. 

Sobre a Rede de e-Ciência: A Rede de e-Ciência é uma infraestrutura operada pela RNP, no âmbito do Programa Conecta (MCTI/FNDCT/PAC), voltada a instituições de pesquisa com demandas intensivas de dados. Oferece conectividade de alto desempenho (mínimo 100 Gb/s), serviços de transferência, processamento e armazenamento distribuído, com suporte a fluxos de dados sensíveis e requisitos avançados de segurança e governança. Saiba mais: https://plataforma.rnp.br/rede-de-e-ciencia