Brasil 6G apresenta avanços científicos e demonstra aplicações durante quarta edição de workshop  

outubro 23, 2026
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Resultados científicos, infraestrutura compartilhada e aplicações em áreas como agricultura e monitoramento ambiental marcaram o 4º Workshop Brasil 6G, realizado de 20 a 22 de outubro, no Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), em Santa Rita do Sapucaí (MG). O encontro reuniu 22 palestrantes e representantes de 13 instituições para apresentar avanços do programa e discutir a continuidade das pesquisas rumo às futuras redes móveis. 

O Programa Brasil 6G é uma iniciativa de pesquisa e desenvolvimento que reúne instituições para desenvolver tecnologias, formar pesquisadores e orientar a construção das futuras redes móveis de sexta geração. Financiado com recursos da Lei de TICs, com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), no âmbito do Programa Prioritário de Interesse Nacional (PPI) Internet Avançada, coordenado pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), o Programa Brasil 6G é executado pelo Inatel, pela RNP e pelo CPQD, em parceria com oito universidades brasileiras, e encontra-se atualmente em sua terceira fase. 

Durante os três dias de programação, os participantes acompanharam a demonstração da Plataforma Multiusuário Brasil 6G (ambiente de experimentação e infraestrutura compartilhada),  palestras e sessões de pôsteres. Além disso, visitaram laboratórios do Inatel e a Fazenda Delta para demonstração de nove projetos do Brasil 6G. Entre as demonstrações estavam soluções de conectividade para áreas remotas, detecção de incêndios por análise de imagens, monitoramento de lavouras com drones e acionamento remoto da irrigação. 

“A importância de ter essa diversidade de projetos é a gente conseguir demonstrar claramente para a população e para os produtores que a conectividade não é só transmitir bits do lado A para o lado B, mas é trazer de fato serviços que são fundamentais para o aumento da produtividade”, destacou o professor do Inatel e coordenador de pesquisa do Brasil 6G Luciano Leonel Mendes.    

Infraestrutura, formação e soberania tecnológica 

As políticas públicas de apoio à expansão da conectividade no Brasil foram abordadas pelo coordenador-geral de Tecnologias em Semicondutores do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Alessandro Augusto Nunes Campos.  Ele apresentou três pilares da agenda do ministério: infraestrutura nacional, com expansão de fibras ópticas e supercomputação acadêmica, no âmbito do Programa Conecta; fomento via Lei de TICs e Programas e Projetos Prioritários (PPIs), com incentivos fiscais para atrair investimentos privados; e autonomia tecnológica, com nacionalização do 5G e pesquisas em 6G e inteligência artificial. Também ressaltou a Rede de e-Ciência e a formação em cibersegurança, com o programa Hackers do Bem.   

Nesse contexto, a diretora de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da RNP, Iara Machado, ressaltou o papel da organização ao conectar pesquisa orientada a desafios nacionais, formação de pessoas, infraestrutura compartilhada e desenvolvimento de tecnologias com potencial de adoção.   

“O valor público dos PPIs é a organização de uma cadeia completa de inovação. A continuidade é o que permite converter conhecimento em capacidade nacional permanente, pois preserva competências, amplia o uso das infraestruturas e acelera a chegada dos resultados até a sociedade”, afirmou.  

Os avanços dessa articulação no Brasil 6G foram detalhados pelo coordenador de P&D da RNP, Fernando Farias. Entre 2021 e 2026, o programa contabilizou 181 artigos em periódicos, 166 em congressos, 10 teses, 46 dissertações, 27 protótipos e duas patentes.   

O coordenador destacou, ainda, que a Fase 4 do Brasil 6G está prevista para iniciar em março de 2027, com duração de dois anos na produção de pesquisas e aplicações, integrando experimentação, computação de alto desempenho e IA.   

Capacidade computacional para apoiar as pesquisas 

Para apoiar essas pesquisas, o acesso à capacidade computacional também está em expansão. O analista de suporte sênior da RNP, Bruno Ciro do Nascimento, apresentou a infraestrutura computacional com 16 GPUs NVIDIA H200. A oferta vai atender inicialmente aos pesquisadores do Brasil 6G e, depois, a outros usuários do Sistema RNP, priorizando quem dispõe de poucos ou nenhum recurso computacional.  

O evento foi finalizado com o treinamento na solução de Computação de Alto Desempenho (HPC – High Performance Computing) que será utilizada para desenvolvimento de soluções inteligentes utilizando inteligência artificial e execução de tarefas computacionais complexas. O treinamento foi oferecido pelos fornecedores KAYAK, HPE e NVIDIA.