Desenvolvido pela RNP e pelo CPQD, sob coordenação da Softex, o projeto envolveu pesquisadores de 23 universidades e deixa como legado um ambiente de experimentação em blockchain e o Observatório Nacional de Blockchain
Representantes do Projeto Ilíada apresentaram, nesta quinta-feira (24/9), em Brasília, os resultados da iniciativa ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Desenvolvido de novembro de 2023 a setembro de 2026 pela RNP e pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD), sob coordenação da Softex e com financiamento da Lei de TICs (MCTI), o projeto reuniu universidades, centros de pesquisa e startups para pesquisar, desenvolver e testar aplicações de blockchain no Brasil.
O Ilíada envolveu pesquisadores de 23 universidades e concedeu mais de 100 bolsas de incentivo à pesquisa, desenvolvimento e inovação. Entre os temas investigados estão a interoperabilidade entre redes, a segurança de contratos inteligentes, a identidade digital descentralizada, a rastreabilidade na agricultura familiar e a cadeia de custódia de vestígios digitais. Startups também desenvolveram provas de conceito para avaliar usos da tecnologia em diferentes setores. Para apoiar essas pesquisas, o projeto disponibilizou um testbed de blockchain. Durante sua execução, foram criados 23 ambientes de experimentação, com 161 máquinas virtuais e 105 redes blockchain.
A reunião abordou ainda as atividades de capacitação promovidas, que contou com mais de 80 pessoas em cursos e minicursos oferecidos pelo projeto. Além disso, as gravações sobre trilha de capacitação de parceiros somaram mais de 1.400 visualizações.
Legado do projeto
Parte dessa estrutura continua disponível após o término do projeto. Uma delas é o testbed de blockchain que agora integra o Laboratório Nacional Multiusuário da RNP, no qual pesquisadores podem desenvolver provas de conceito e avaliar soluções usando a tecnologia antes de sua adoção em outros contextos. O projeto também desenvolveu o EasyLedger, portal que facilita a criação de redes blockchain pelos usuários, e um ambiente de desenvolvimento compatível com a Rede Blockchain Brasil (RBB).
Outra parte importante do legado é o Observatório Nacional de Blockchain, criado em 2025 para mapear iniciativas, reunir produção científica e casos de uso e promover encontros entre especialistas. A plataforma já mapeou mais de 600 iniciativas, catalogou mais de 2,8 mil artigos científicos e 230 patentes, em parceria com o Ibict, e publicou mais de 180 casos de uso. A Comunidade de Especialistas, vinculada ao Observatório, mantém um espaço de troca entre pesquisadores, instituições públicas e empresas, e já realizou mais de 20 encontros.
Participaram presencialmente da reunião, pela RNP, a diretora-adjunta de P&D Michelle Wangham, a coordenadora de projetos Bárbara Evellyn. Pelo CPQD, estiveram presentes o diretor de Estratégia e Mentoria de Negócios Alberto Paradisi e a gerente de Soluções Blockchain Andreza Lona. Pelo MCTI, acompanharam a apresentação Rubens Caetano Barbosa de Souza, coordenador-geral de Inovação Digital; Ulisses Campoi Martins Rosa, coordenador de Fomento à Inovação; e Everton Goursand de Freitas, coordenador de Programas e Projetos para a Transformação Digital, além de outros integrantes da equipe. Pela Softex, a coordenadora de Projetos Estratégicos Julieta Cunha, o representante de Célula de Projetos Estratégicos Victor Almeida e o analista de Finanças Públicas Werlei Santos.
A diretora de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da RNP, Iara Machado, e o diretor-adjunto de Serviços para Experimentação e e-Ciência da RNP e coordenador do projeto, Leandro Ciuffo, participaram remotamente, junto com pesquisadores e colaboradores do Ilíada.
Os resultados serão apresentados ao público em 16 de outubro, das 11h às 12h, durante o Encontro da Comunidade de Especialistas em Blockchain, via Conferência Web. As entregas técnicas e outras informações sobre o projeto podem ser consultadas no site do projeto e no Observatório Nacional de Blockhchain.