Internet do Futuro

A internet como é conhecida nos dias de hoje tem aproximadamente 40 anos. Diante do engessamento dessa arquitetura, a comunidade mundial de pesquisa está em constante procura por uma mudança de paradigma que proponha novas arquiteturas alternativas à rede atual.

Embora o desenho original da internet e a estrutura flexível da tecnologia IP tenham possibilitado incontáveis serviços e aplicações, eles também são a causa das limitações da rede. As soluções encontradas até o momento para a evolução da internet são paliativas e a inclusão de novas funcionalidades, não originalmente previstas no projeto anterior, tornaram a internet que conhecemos uma verdadeira “colcha de retalhos”.

Entre os principais entraves da arquitetura atual, estão o esgotamento de endereços IP, o que impede o avanço da chamada Internet das Coisas, limitações de desempenho, custos elevados dos roteadores IP, natureza não escalável das tabelas de roteamento, brechas para incidentes de segurança e ataques cibernéticos e os desafios trazidos pela internet móvel.

Histórico

Com o lançamento dos projetos Geni (Global Environment for Network Innovations), em 2005, e FIND (Future Internet Innovation), em 2006, a National Science Foundation (NSF) deu forte impulso à busca de novas arquiteturas, incluindo a provisão de ambientes de experimentação para validar as propostas apresentadas.

Com a participação de mais de 50 universidades e a rede acadêmica norte-americana, Internet2, o ambiente Geni provê um laboratório virtual em escala real, para o estudo experimental de redes e aplicações distribuídas.

Outros países, principalmente na Europa e na Ásia, também lançaram iniciativas de Internet do Futuro. Na Europa, a Comissão Europeia (CE) lançou a iniciativa Fire (Future Internet Research and Experimentation) em 2008 e uma chamada coordenada em 2010, em parceria com o CNPq, para financiar um projeto conjunto entre Brasil e a União Europeia em redes de experimentação em Internet do Futuro.

Iniciado em outubro de 2011 e com término em 2014, o Fibre teve como objetivo inicial projetar, implementar e validar uma infraestrutura compartilhada para a pesquisa colaborativa em Internet do Futuro entre o Brasil e a Europa.

Plataforma Fibre

O ambiente de experimentação Fibre (Future Internet Brazilian Environment for Experimentation) é o testbed que resultou do projeto selecionado pela 1ª chamada coordenada entre o Brasil e a União Europeia em 2010.

Coordenado pela RNP, ele funciona como um laboratório virtual em larga escala, para que estudantes e pesquisadores brasileiros possam testar novas aplicações e modelos de arquitetura de rede. Atualmente, o testbed é formado por uma federação de 11 ilhas de experimentação, abrigadas em universidades brasileiras e instituições de pesquisa.

Cada ilha tem um conjunto de equipamentos que dão suporte a experimentos tanto em redes físicas quanto sem fio. Essas ilhas estão conectadas a uma rede sobreposta ao backbone nacional, chamada de Fibrenet. Não é necessário hospedar uma ilha de experimentação para usar o testbed. O Fibre está aberto para pesquisadores, professores e estudantes de qualquer instituição de ensino e pesquisa.