Plataforma inovadora vai monitorar impactos das mudanças climáticas no Brasil

Grupo que atuou no desenvolvimento conjunto do Sismoi.

Aliar desenvolvimento sustentável e crescimento econômico em um país das dimensões do Brasil esbarra em desafios ambientais, sociais e produtivos. Para ajudar a vencer essas questões, a RNP está desenvolvendo o Sistema de Monitoramento e Observação dos Impactos da Mudança do Clima (Sismoi). A plataforma visa integrar os componentes climáticos para formular políticas públicas – ambientais, econômicas e sociais – a fim de disseminar informações atualizadas sobre os efeitos e impactos das mudanças climáticas no território brasileiro, promover a maior conscientização ambiental da sociedade civil e garantir um menor risco de investimento do setor privado.

A criação da plataforma foi solicitada pela Coordenação-Geral do Clima da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento (Seped/MCTIC) e tem o apoio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que estão acompanhando o projeto. Atualmente, os dados relacionados aos impactos das mudanças climáticas no Brasil estão dispersos. Por isso, a expectativa da Seped é centralizar informações, monitorar o ambiente e avaliar e compartilhar dados sobre os efeitos climáticos no semiárido do Nordeste, nesse primeiro momento. “O objetivo futuro é ampliar o sistema para todo o território nacional e incluir outras áreas temáticas relacionadas às mudanças climáticas”, explicou a analista de Negócios da RNP Daniele Sodré.

De acordo com a coordenadora de Clima, Meteorologia e Climatologia da Seped, Andréa Araújo, o ministério tem o papel de impulsionar o fornecimento de subsídios importantes para a sociedade. “Queremos disponibilizar um sistema que ofereça à academia e aos cidadãos, de forma simples e perene, informações sobre os impactos observados e projetados no caso de um quadro de mudança do clima. Assim, o cidadão poderá cobrar um melhor planejamento do governo, e os tomadores de decisão terão uma ferramenta para apoiar a condução de ações a fim de diminuir as consequências desses impactos nos sistemas naturais e humanos”, ressaltou. Já os pesquisadores poderão cruzar as informações disponíveis no Sismoi com dados já obtidos por eles e, assim, aprofundar seus estudos. “Vejo a plataforma como uma grande ferramenta integradora de dados”, enalteceu Andréa.

Processo de desenvolvimento da plataforma

Nos primeiros meses deste ano, a RNP realizou uma pesquisa em profundidade com representantes do governo federal e estatual, universidades, institutos de pesquisa e organizações sindicais e não governamentais. Em seguida, o grupo de entrevistados foi convidado para uma semana de desenvolvimento conjunto, em abril, em que foram levantados requisitos e definidas as prioridades para o piloto da plataforma.

O protótipo de baixa fidelidade foi criado e validado durante o evento, e os feedbacks obtidos irão nortear os próximos ciclos de desenvolvimento da solução, que contemplam o desenvolvimento de um protótipo navegável e a realização de testes de usabilidade. “Nossa expectativa é ter um produto mínimo viável (em inglês, MVP) implementado até novembro deste ano, como um protótipo de alta fidelidade a ser validado em campo com os potenciais usuários do sistema. A partir daí, seguiremos com o desenvolvimento da plataforma, implementando funcionalidades avançadas para integração e interpretação de dados, acessibilidade e governança”, conclui o gerente de Soluções Christian Miziara.

Parceria de longa data

A participação da RNP no Sismoi é um desdobramento do planejamento e estruturação de ações em parceria com a Seped, que já resultaram no desenvolvimento de plataformas como o Sistema de Informações sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr) e a Nutrissan - Rede Global de Ensino, Pesquisa e Extensão em Nutrição, Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional. Nesse sentido, o Sismoi colabora para o alcance de objetivos estratégicos da RNP, como executar projetos de TIC para o desenvolvimento e uso de aplicações e serviços inovadores.