Pesquisadores mapeiam hábitos da população para melhorar bens industrializados

- 22/09/2017

Ao utilizar informações comportamentais dos seres humanos, o projeto Fasten – Sistemas de fabricação flexíveis e autônomos para produtos de design personalizado – planeja desenvolver uma plataforma capaz de analisar os hábitos do dia a dia e utilizá-los para aperfeiçoar equipamentos já existentes, como a fabricação de elevadores inteligentes. A partir dessa criação, os pesquisadores esperam materializar o conceito de indústria 4.0 no Brasil.

O projeto Fasten foi aprovado na 4ª Chamada BR-UE em Tecnologias da Informação e Comunicação da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) com a União Europeia, supervisionada pela Secretaria de Política de Informática do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Nos próximos três anos, cerca de R$ 60 milhões serão investidos nos seis projetos selecionados, sendo metade financiado pela Comissão Europeia e metade com recursos oriundos da Lei de Informática brasileira.

Atualmente, o Fasten é liderado pelo professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pesquisador do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores (Inesc P&D Brasil), Mauro Augusto Rosa. Ele afirma que o propósito do sistema é o de aproveitar a evolução natural do crescimento tecnológico para agregar valor às empresas em seus processos de fabricação. ‘‘O Brasil ainda está buscando uma posição no mercado da indústria 4.0 e, por este motivo, ao colaborar para transformar vontades coletivas em serviços efetivos, conseguimos mostrar que o país pode fornecer pesquisas e inovações com qualidade. Com o apoio do consórcio, também conseguiremos apresentar o potencial de crescimento do projeto a empresários europeus que já fazem grandes investimentos no ambiente industrial’’, reforça.  

A iniciativa já trabalha com dois potenciais clientes: as empresas Thyssenkrupp Elevadores e a Embraer. Nos dois casos, o pesquisador explica que as linhas de produção dos elevadores comerciais e residenciais além do suporte e segurança dos aviões podem sofrer alterações de acordo com os resultados do projeto. ‘‘Ao trazer a necessidade de grupos específicos de usuários para fabricação dos componentes, esperamos melhorar os serviços que serão oferecidos para melhorar a experiência do consumidor final’’, explica. 

No Brasil, o projeto é fruto de uma parceria entre a UFSC, Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal de Goiás (UFG), Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e o Inesc P&D Brasil. ‘‘Entre as 60 pessoas diretamente envolvidas, temos alunos de mestrado, doutorado, engenheiros e pesquisadores. Nossa missão é materializar conquistas brasileiras na indústria 4.0 e preparar um projeto de consultoria consolidado, para atender demandas dentro e fora do Brasil, sem que os empresários precisem recorrer a consultorias internacionais’’, finaliza.

Série: projetos selecionados pela 4ª Chamada Coordenada BR-UE em TIC

Esta é a quarta matéria da série de reportagens em que apresentaremos com detalhes os seis projetos selecionados pela 4ª Chamada Coordenada BR-UE em TIC. O objetivo é que os pesquisadores tenham espaço para apresentar de maneira concreta o que será desenvolvido nesse período de três anos de atividades financiadas pela cooperação. No Brasil, a chamada é realizada pela RNP, por meio do seu Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Tecnologias Digitais para Informação e Comunicação (CTIC), sob a supervisão da Secretaria Comunicações (MCTIC). 

Na próxima semana, você conhecerá o projeto Atmosphere, sigla em inglês para Ecossistema Adaptável, Confiável, Gerenciável, Orquestrado, Seguro, Garantidor de privacidade e Híbrido para Computação em Nuvem Resiliente.

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