Projeto permitirá o uso mais efetivo dos recursos de computação em nuvem

Projeto permitirá o uso mais efetivo dos recursos de computação em nuvem

Conhecer as limitações das atuais infraestruturas de computação em nuvem e, a partir delas, sugerir soluções. É com esse objetivo que instituições brasileiras e europeias se reuniram para desenvolver a plataforma Necos (Novel Enablers for Cloud Slicing). A iniciativa visa realizar um conjunto de avanços nas plataformas que gerenciam recursos virtualizados de computação, rede e armazenamento em diferentes infraestruturas. Assim, será possível oferecer ‘fatias’ de recursos (network slices) de forma dinâmica para soluções de computação na borda da nuvem e serviços de telecomunicações. Desse modo, funções que tradicionalmente executam na infraestrutura dos clientes passam a ser executadas em infraestruturas computacionais da operadora.

A equipe vai trabalhar na virtualização de funções de rede, redes definidas por software, computação em nuvem, fatiamento de redes, entre outras tecnologias nas áreas de redes de computadores e sistemas distribuídos. Para nos explicar em mais detalhes esse projeto, conversamos com o coordenador do Necos no Brasil, o professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Christian Esteve. Ele fala desde a motivação do projeto até os benefícios esperados. Confira a entrevista abaixo.

1. O que motivou o desenvolvimento do projeto Necos?

O projeto foi motivado pela necessidade de avanços específicos, para abordar certas limitações das atuais tecnologias de computação em nuvem para atender de forma efetiva os novos desafios das redes sob demanda, baseadas em ‘fatias’ dos recursos disponíveis, visando otimização no uso dos mesmos e novos mecanismos de gerenciamento e automação das operações.

2. Explique como serão os dois casos de uso que direcionarão a execução do projeto.

A ideia do caso de uso Telco é a realização do conceito de Virtualização de Funções de Redes, em que funções que tradicionalmente executam no ambiente do usuário final passa a executar na infraestrutura computacional da operadora, trazendo diferentes ganhos em termos de flexibilidade, custo-eficiência, escalabilidade e a migração para novas tecnologias, como o IPv6. Nesse caso de uso, temos o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), no Brasil, e a Telefônica Investigación y Desarrollo (TID), na Espanha, como parceiros industriais. Já no segundo caso, usaremos nuvens de borda a fim de disponibilizar infraestrutura computacional disponível perto dos usuários, para oferecer serviços diferenciados em termos de latência, entre outros, para um grupo específico de usuários. Os provedores de esses serviços/aplicações podem ser diferentes do provedor de rede/infraestrutura, por exemplo novos atores no espaço de dispositivos de Internet das Coisas (IoT).

3. Quais são os principais benefícios esperados com a aplicação dos resultados do projeto?

Espera-se um conjunto significativo de contribuições do projeto, desde software de código  livre, uma plataforma que atenda cenários com baixo poder computacional, mas que possa se beneficiar dos ganhos de virtualização e computação em nuvem; algoritmos inovadores, baseados em aprendizado de máquina, que permitam uma operação mais ágil e eficiente dos ambientes virtualizados em operação; até novos modelos de negócio (Slice-as-a-Service) e soluções nacionais com tecnologia de produto para o mercado de telecomunicações.

Parceiros do projeto

O projeto Necos, realizado por sete instituições brasileiras e quatro europeias, terá um aporte de R$ 4 milhões ao longo dos três anos de atividades acompanhadas pela cooperação. A verba em reais será viabilizada pelo governo brasileiro, por meio da RNP, que utiliza o fundo da Lei de Informática. Além disso, o projeto receberá outros € 1,5 milhões pelo programa H2020 da União Europeia.

No Brasil, as instituições que fazem parte do projeto Necos são as Universidades Estadual de Campinas (Unicamp), Federal de São Carlos (UFSCar), Federal de Uberlândia (UFU), Federal de Goiás (UFG), Federal do Pará (UFPA) e Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), além do CPqD. Já na Europa, atuam a Universitat Politècnica de Catalunya (UPC) e a TID, na Espanha; a University College London (UCL), no Reino Unido; e a University of Macedonia (UOM), na Grécia.

Série: projetos selecionados pela 4ª Chamada Coordenada BR-UE em TIC

Com esta matéria, encerramos a série de reportagens sobre os seis projetos selecionados pela 4ª Chamada Coordenada BR-UE em TIC. No Brasil, a chamada é realizada pela RNP, por meio do seu Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Tecnologias Digitais para Informação e Comunicação (CTIC), sob supervisão da Secretaria de Políticas de Informática (Sepin) do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).