Projeto OpenCDN entra em operação na Bahia e beneficia instituições e provedores

Projeto entra em operação na Bahia e beneficia instituições e provedores
Parte da equipe do PoP-BA no Workshop de Tecnologias de Redes (WTR-BA), em 2017.

Você sabia que, atualmente, apenas seis provedores de acesso à internet detêm cerca de 70% dos usuários no Brasil? E que a maior parte do conteúdo que consumimos online está concentrada em São Paulo?

Isso significa que, quando um usuário na região Norte, por exemplo, deseja acessar o Facebook, o Youtube, o Netflix ou outros produtos de grandes players do mercado, esse conteúdo precisa sair de onde está hospedado, normalmente em São Paulo, e cruzar o país para chegar ao destino final, o que pode comprometer a velocidade e a qualidade do acesso à internet, além de aumentar custos desse transporte de dados.

Para diminuir a distância entre conteúdo e usuários, o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.Br), junto ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.Br) e em parceria com a RNP, lançou o projeto OpenCDN, que iniciou sua operação em junho na região metropolitana de Salvador, na Bahia. O objetivo da iniciativa é promover a descentralização e a distribuição de conteúdo por todo o país.

Depois de avaliar diversas cidades fora da região Sudeste que possuem Pontos de Troca de Tráfego ou IXs (do inglês Internet Exchange Points), locais onde ocorre a interconexão entre provedores de acesso à internet e os distribuidores de conteúdo (CDNs, do inglês Content Delivery Networks), Salvador foi escolhida por concentrar grande número de provedores regionais próximos ao IX, abrigado na Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde também acontece a troca de tráfego entre a internet comercial e a acadêmica.

Em Salvador, o Ponto de Presença da RNP na Bahia (PoP-BA) é responsável pela operação do IX, assim como por todos os serviços disponíveis para a comunidade de ensino e pesquisa. Entre as vantagens do projeto OpenCDN apontadas pela equipe do PoP-BA, estão a redução dos custos e a entrada de novos participantes, o que tem permitido o crescimento da troca de tráfego entre os provedores que atuam na região.

“A tarefa de alcançar os provedores regionais, construindo uma capilaridade adequada, pode ser um grande desafio. Muitas vezes não é viável, devido aos custos envolvidos. O OpenCDN melhora o custo-benefício aos provedores”, explica o analista do PoP-BA, Thiago Bomfim.

A proposta do OpenCDN é ser uma iniciativa aberta e transparente, que promova o acesso mais justo ao conteúdo. Segundo o NIC.Br, o projeto possibilita que os provedores de conteúdo (CDN) instalem seus servidores de cache para serem acessados pelos participantes do IX.br.

Para a RNP, o projeto contribui para otimizar o tráfego na rede acadêmica, já que os usuários de instituições conectadas utilizam a mesma rede para o acesso à internet. Como os conteúdos estão disponíveis localmente, eles não precisam sair de São Paulo, diminuindo o tráfego nessa rota. Segundo informações do PoP-BA, nas primeiras três semanas do projeto, foram mais de 3 Gb/s de dados trocados entre os provedores baianos e as CDNs.

De acordo com o NIC.Br, a partir do projeto piloto em Salvador, o OpenCDN poderá ser estendido para outros Pontos de Troca de Tráfego do IX.br ainda este ano. Os interessados em participar devem preencher o formulário disponível no endereço: http://opencdn.nic.br/pt/join/.