Primeira máquina capaz de gerenciar redes no Brasil está em funcionamento na UFRGS

Primeira máquina de gerência de redes no Brasil está em funcionamento na UFRGS

Em 1992, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) foi a primeira instituição a ter uma máquina capaz de gerenciar redes no Brasil. O equipamento veio no mesmo lote das estações de trabalho encomendadas para a Eco-92, que viabilizaram a primeira conexão de internet do país entre Rio e São Paulo. A Penta foi concedida à universidade por meio do projeto de pesquisa de Liane Tarouco, autora do primeiro livro sobre redes de computadores do Brasil, publicado em 1977. “Talvez a Penta seja a estação de trabalho mais antiga ainda em funcionamento no país”, informou Liane, homenageada pela RNP com o diploma de Construtores da Internet.br.

Segundo a professora da UFRGS, além da inovação trazida pelo sistema de gerência de redes – na época, o software utilizado era o Sun Net Manager, da Sun Microsystems – a Penta possibilitou a implantação de um servidor web, que até então ainda não era usado. “As primeiras páginas web hospedadas na Penta datam de 1994. Talvez seja um dos mais antigos servidores web do país”, afirmou. A Penta também tinha um servidor de e-mail, quando foi criado o domínio penta.ufrgs.br, que existe até hoje, embora esteja hospedado em outra máquina. O equipamento ainda permitiu explorar outros serviços inovadores, como o Gopher, que tinha um mecanismo de busca por palavra-chave e com indexação, precursor do que hoje é o Google.

Em 1992, a UFRGS também foi a primeira universidade do país a ter um supercomputador, o CRAY YMP-2E, o primeiro instalado abaixo da linha do Equador. Com capacidade de 300 megaflops, o supercomputador tinha memória e processamento vetoriais e uma estrutura matricial que permitia cálculos paralelos de até 64 operações simultâneas. Para viabilizar o acesso da comunidade científica ao Centro de Supercomputação da UFRGS, seis redes locais da universidade em diversos campi foram interligadas por um backbone de fibra óptica, algo pioneiro para a época.

Segundo Liane, a Penta ajudava a fazer a gestão da rede de acesso ao CRAY, que podia ser usado remotamente por pesquisadores da UFRGS graças a esse backbone de fibra óptica, para a visualização de dados. “Para os astrônomos, por exemplo, os dados gerados por telescópios eram processados no CRAY e depois visualizados em outras máquinas. Os engenheiros civis tinham um projeto de cálculo de estruturas utilizando o método de elementos finitos. A Física, o Instituto de Pesquisas Hidráulicas e o Centro de Ecologia também eram os grandes grupos de usuários dentro da UFRGS”, relembra a pesquisadora.

Por causa da grande procura pelo supercomputador CRAY, a conexão entre Porto Alegre e São Paulo foi ampliada para 64 Kb/s, primeira linha com essa velocidade fora do eixo Rio-São Paulo. A UFRGS tinha acesso à internet desde 1989, pela conexão com a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Com o lançamento da primeira rede nacional pela RNP, os pesquisadores de outras universidades puderam fazer uso do supercomputador CRAY para realizar seus experimentos.

A Penta continua em operação no Centro de Processamento de Dados da UFRGS, com 8 GB de disco e 48 MB de memória RAM, e ainda hospeda o servidor web mais antigo do país, disponível em penta.ufrgs.br. “Se a Penta fosse um humano, ela seria um humano biônico”, disse Liane, referindo-se aos “transplantes” de peças recebidas de outras máquinas. “Fizemos um levantamento para ver quais máquinas estavam há mais tempo sem reinicializar, e a Penta estava na frente, com 800 dias sem parar. Quando ela começou a ficar mais velha, começamos a transferir os sistemas críticos, como correio eletrônico, para outras máquinas”. O nome Penta foi dado por Liane, em referência ao simbolismo dos pentagramas.