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Internet Brasileira faz 10 anos


Em junho, a expansão do uso da Internet no Brasil para além das dependências universitárias completará 10 anos. Comemorando esta data, a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) promoverá, durante o 20º Simpósio Brasileiro de Redes de Computadores (SBRC) , o painel "10 Anos da Internet no País". Haverá depoimentos de alguns dos pioneiros que participaram do processo de instalação e desenvolvimento desta rede. O SBRC será realizado de 20 a 24 de maio, em Armação dos Búzios, no litoral norte do estado do Rio de Janeiro.

No mesmo evento, a RNP também promoverá o painel "Redes Avançadas (RNP2)". O objetivo é apresentar e debater iniciativas que estão sendo tomadas para viabilizar a implantação no país de uma nova geração de redes de comunicação. Dentre estas iniciativas serão apresentados: o resultado do edital CNPq/RNP para redes avançadas; a articulação da Iniciativa Óptica Nacional; e os grupos de trabalho da RNP em novas tecnologias.

Pioneiros falam do nascimento da Internet no Brasil

A chamada "Internet de produção" foi inaugurada, no Brasil, em 1992, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio-Ambiente e Desenvolvimento (ECO-92), realizada no Rio de Janeiro. Até então, o que havia eram redes experimentais, restritas à esfera acadêmica. Na ECO-92, a Internet saiu das universidades e institutos de pesquisa pela primeira vez em nosso país para servir aos jornalistas e ONGs, que a usaram como meio de comunicação.

O painel "10 Anos da Internet no País", a ser apresentado no último dia do 20º SBRC (24 de maio), contará com a participação de algumas das pessoas mais importantes desta fase inicial, da pré-história e da história da Internet brasileira: Alexandre Grojsgold (RNP), Carlos Afonso (Rits), Demi Getschko (Comitê Gestor da Internet), José Roberto Boisson de Marca (PUC-Rio), Liane Tarouco (UFRGS) e Michael Stanton (RNP). O painel será mediado por Cristina de Luca, colunista do caderno Informática & Etc. do jornal O Globo. O perfil dos debatedores segue abaixo:

  • Alexandre Leib Grojsgold
    Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP)

    Diretor de Operações da RNP desde 1997, esteve envolvido com os esforços de formação de redes acadêmicas desde 1986. Participou da implantação do primeiro nó Bitnet no Brasil, em 1988, e da criação da Rede Rio, em 1992. Foi responsável, de 1992 a 1997, pelo Ponto de Presença da RNP no Rio de Janeiro, pioneiro no provimento de serviço de conectividade IP comercial nesta cidade. Trabalhou no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) de 1985 a 1997, onde foi chefe da Divisão de Teleprocessamento e do Departamento de Computação Científica. Em 1997 desligou-se do LNCC para se dedicar exclusivamente à RNP. É doutor em Engenharia pela Universidade Pierre e Marie Curie – PARIS VI.

  • Carlos A. Afonso
    Rede de Informações para o Terceiro Setor (Rits)

    Criador do Alternex, BBS do Ibase e primeiro provedor brasileiro de acesso público à Internet. O Alternex, usando a infra-estrutura de rede mantida pela Faperj (Rede Rio), foi o responsável por prover o acesso de jornalistas e ONGs à rede mundial de computadores. Atualmente é diretor de Desenvolvimento Tecnológico da Rede de Informaçõs para o Terceriro Setor (Rits) e trabalha em prol da democratização do acesso da população à Internet. A Rits é uma rede virtual de informações, capaz de proporcionar às organizações da sociedade civil a oportunidade de compartilhar informações, conhecimento, recursos técnicos e promover a interação de suas atividades através do uso de Tecnologias Digitais de Comunicação e Informação – em especial, da Internet.

  • Demi Getschko
    Comitê Gestor da Internet no Brasil (CG)

    Membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CG), responsável pelo Registro.br, ex-vice-presidente de tecnologia do portal iG, diretor de tecnologia da Agência Estado, ex-professor da USP e professor da PUC-SP. Foi responsável pelo Centro de Computação da Fapesp e criou a Rede ANSP (an Academic Network at São Paulo), conectando-a ao exterior pela primeira vez em 1988. Foi coordenador de operações da RNP entre 1990 e 1996.

  • José Roberto Boisson de Marca
    Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)

    Ex-presidente do IEEE Communications Society (2000/2001), foi presidente do Laboratório Nacional de Redes de Computadores (LARC) em 1987, quando começaram as articulações para implantação da Internet no Brasil. Como diretor de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do CNPq, três anos depois, teve papel influente no lançamento do então projeto RNP. É PhD em Sistemas de Telecomunicações.

  • Liane Margarida Rockenbach Tarouco
    Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

    Publicou o primeiro livro sobre redes no país em 1977. Coordenou, no Rio Grande do Sul, as implantações da Rede Estadual de Informação em Ciência e Tecnologia (Rede TCHÊ) e da Rede Metropolitana de Alta Velocidade de Porto Alegre (Metropoa). Doutora em Sistemas Digitais, publicou cinco livros e recebeu igual quantidade de prêmios. Participa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CG).

  • Michael Stanton
    Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP)

    Participou ativamente da montagem das redes Bitnet e Internet no país. Atuou junto às coordenações da Rede Rio e da RNP nas suas fases formativas. Ajudou a montar as redes internas da PUC-Rio e da Universidade Federal Fluminense (UFF). Atualmente, é professor de redes do Instituto de Computação da UFF e escreve regularmente a coluna "Sociedade Virtual" no site www.estadao.com.br/tecnologia. Em 2001, voltou a integrar a RNP como diretor de inovação. É doutor em Matemática pela Universidade de Cambridge, Inglaterra.

Redes avançadas: o futuro cada vez mais presente

Há cinco anos a RNP iniciou a implantação de redes de alto desempenho no Brasil com o edital "Redes Metropolitanas de Alta Velocidade (ReMAVs)", financiado pelo CNPq com apoio do Comitê Gestor da Internet no Brasil. Em 2000 foi criada a primeira rede nacional de alta velocidade do país, a RNP2, uma rede acadêmica financiada pelos ministérios da Ciência e Tecnologia e da Educação.

No dia 23 de maio será apresentado, no 20º SBRC, o painel "Redes Avançadas (RNP2)". Ali serão debatidos a Iniciativa Óptica Nacional (ION), os resultados do edital "Tecnologia, Produtos e Serviços de Informação e Comunicação, Aplicados em Redes Avançadas" e o programa de grupos de trabalho da RNP.

O edital "Tecnologia, Produtos e Serviços de Informação e Comunicação, Aplicados em Redes Avançadas" foi lançado pelo CNPq em outubro de 2001 em associação com a RNP. Os oito projetos aprovados irão trabalhar em novos produtos e aplicações; e na capacitação de talentos humanos em redes de comunicação de alta velocidade.

Os grupos de trabalho envolvem a participação de pesquisadores das universidades em projetos de interesse da RNP. O objetivo é a pesquisa e aplicação de novos serviços para redes Internet. As áreas de atuação serão:

Telefonia IP
Serviço de diretórios
Qualidade de Serviço (QoS)
Serviço de distribuição de vídeo
Ferramentas de educação a distância (EAD)

Por fim, a Iniciativa Óptica Nacional é uma proposta de rede experimental de telecomunicações de nova geração sobre fibras ópticas com duas funções: plataforma de testes para desenvolvimento e demonstração de componentes e sistema ópticos; e infra-estrutura avançada para teste de novos padrões, protocolos, serviços de rede e aplicações Internet para empresas e organizações de pesquisa. A nova rede terá alcance nacional e operará na faixa de gigabits por segundo.

[RNP, 16.05.2002]

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Artigo de Michael Stanton no Estadão

[Agência Estado, 25.04.2002]


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